Imaculada: estrela da evangelização

A voz do pastorCaros amigos, no dia 8 de dezembro celebramos a grande Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, ocasião em que nossa Igreja Diocesana se uniu em ação de graças pelos 150 anos da inauguração da Igreja Matriz, hoje, Catedral de São João Batista.

Bela é a providência da unidade destas efemérides. Pois, como ensina o Concílio Vaticano II, “a Mãe de Deus é o tipo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo. Com efeito, no mistério da Igreja, a qual é também com razão chamada mãe e virgem, a bem-aventurada Virgem Maria foi adiante, como modelo eminente e único de virgem e de mãe. Porque, acreditando e obedecendo, gerou na terra, sem ter conhecido varão, por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do eterno Pai” (Lumen gentium, 63).

A presença da Igreja no mundo deve inspirar-se na presença constante e singela da Virgem Imaculada na vida eclesial nascente. Inspirado neste ensinamento, São Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii Nuciandi, conclamou a comunidade de fiéis a olhar para o exemplo de Maria como a estrela de uma evangelização sempre renovada, obediente ao mandato do Senhor, afim de promover e realizar o Reino de Deus, sobretudo nestes tempos difíceis, mas cheios de esperança (cf. n, 82).

Estas palavras evidenciam o importante papel de Nossa Senhora na missão da Igreja em todos os tempos. Do mesmo modo que a “Estrela da Manhã” brilha solitária no céu anunciando o sol que nascerá em breve, Maria Santíssima, nos escritos evangélicos e na vida da Igreja, é sinal do Cristo que vem iluminar o mundo inteiro como o “sol que nasce do alto” (cf. Lc 1, 78).

O sim da Mãe de Deus foi o prenúncio da humanidade reconciliada. Da mesma forma que em Pentecostes Maria presidiu o início da evangelização, também hoje, inspirados em seu exemplo, devemos lutar para que a Boa Nova de Cristo alcance todos os povos e nações, a começar pelo nosso próprio lar.

Nossa Diocese de Nova Friburgo, que tem como padroeira principal a Mãe de Deus sob o título de Imaculada Conceição, festeja-a com grande alegria e renova os propósitos de imitá-la em suas virtudes.

Deus, que “em Cristo, nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor” (Ef 1, 4), preparou-nos uma mãe a quem podemos recorrer sempre em nossas necessidades. De fato, em todo o mundo, o culto devocional à Virgem Maria expandiu-se e fortaleceu a muitos na vida de fé, esperança e caridade. Os Santuários Marianos povoam toda a terra, e, neles, Nossa Senhora continua atraindo seus filhos e filhas para a vida na graça.

Papa Francisco afirma que “Maria nos ensina a estar sempre unidos a Jesus! Ela sempre foi uma mulher comum no meio do seu povo: rezava, trabalhava, ia à sinagoga. Porém, toda a sua ação era realizada sempre em união perfeita com Jesus e com a vontade do Pai” (Audiência Geral, 23 out. 2013). O Santo Padre também lembra que “para estar repleto é preciso abrir espaço, esvaziar-se, colocar-se de lado. Como fez Maria, que soube escutar a Palavra de Deus e confiar-se totalmente à sua vontade, acolhendo-a sem reservas em sua vida” (Angelus, 8 dez. 2019).

Para falar do amor de Deus àqueles com quem nos encontramos durante o dia, devemos viver segundo o que nos pede o Senhor e testemunharmos a alegria de pertencermos a Ele. Em seu desejo de participar do Plano de Deus para a salvação da humanidade, Maria é de fato a “estrela da nova evangelização” que anuncia o triunfo de Cristo. Esforcemo-nos para seguir o seu exemplo e levar a todos a alegria de Jesus, o Senhor. Viva a Imaculada Conceição!

Dom Edney Gouvêa Mattoso, Bispo Diocesano de Nova Friburgo